A Questão
1. Introdução:
Apesar do quase total desconhecimento público da distinção entre Astronomia e Astrologia, tomando muitas vezes uma pela outra, a rivalidade ideológica que as separa torna-as cada vez mais distanciadas.
Independente de que em muitos aspectos uma contradiga a outra, muitas vezes a negação do astrólogo à Astronomia é uma fuga do cientificismo bem como a negação do astrônomo à Astrologia é uma auto-afirmação de seus princípios científicos, para sequer admitir que um misticismo se “apodere” de sua área de estudo para fins diversos.
Vê-se assim que a rivalidade é meramente humana, obviamente, pois ambas são analisadas sempre parcialmente por homens com conhecimentos implantados previamente como axiomas imutáveis. Tanto astrônomos como astrólogos, o que muda é o que foi implantado.
2. Breve histórico:
Tidas como as primeiras “ciências” do mundo, a Astrologia/Astronomia estiveram vinculadas à religião até o fim da Idade Média quando a Astrologia, a partir de Copérnico, foi se distanciando da religião e tornando-se, conceitualmente falando, científica, no entendimento da época, é claro.
Em sua origem, a Astronomia legou o calendário, a orientação pelos astros e a concepção pelo menos tosca de um universo independente do homem, embora por ele pudesse ser modificado (estendendo a concepção de Universo ao ambiente). A origem da Astrologia é controvertida por também ser pré-histórica. Sua concepção na forma mais racional é atribuída a Hermes Trimegisto (não tem nada a ver com o deus latino Mercúrio), sábio da Ásia menor que estabeleceu as bases e dogmas da Astrologia. A existência, portanto, de algum dogma ou axioma já a torna parcial, pois tomando algo como verdade, está arriscando a possibilidade de acreditar em algo falso. Longe de ser algum tipo de religião, pois a Astrologia não se refere a nenhum ser divino ou dita condutas “corretas”, não diferia na época muito da Astronomia que também tinha uma espécie de dogmas pré-concebidos de outra natureza.
Ambas ganharam consistência matemática na Caldéia e geométrica na Grécia. No Egito houve um “ensaio” de separação quando a Astrologia passou a ter uma interpretação filosófica mais diferente da Astronomia vigente.
A “Nova” Astrologia tem início com Pitágoras e depois Ptolomeu quando a “base” matemática da Astrologia passou a diferir completamente da base matemática Astronômica (sempre se referindo ao conhecimento da época). A interpretação chamada cabalística da Astrologia não chegou a dissonar com a interpretação quantitativa dos números da Astronomia, pois apesar da brusca diferença de métodos, a Era “Cristã” retardou o processo de separação de ambas. A religião como sistema filosófico incorporou a Astronomia e a Astrologia desde que elas se enquadrassem nos princípios do Catolicismo (Terra fixa, centro do Universo, etc.). Assim durante o milênio medieval a Astronomia e Astrologia, agora amarradas, com visões mais que míopes, se reduziram a afirmar o que não podia ser contestado (apenas na Europa).
A primeira tentativa de libertação das concepções tidas como verdadeiras veio de Copérnico seguido de Ticho Brahe e Kepler que foi o último astrônomo astrólogo, pois a partir dele a Astronomia tendendo para o racional e lógico em sua acepção científica, filosoficamente tendia ao agnosticismo; religiosamente tendia ao ateísmo. A Astrologia por sua vez permaneceu enclausurada na concepção Católica até a Contra-Reforma, e depois da era de Newton gradativamente entra em decadência quando a Astronomia desliga-se completamente da religião. Agora religião e ciência são coisas distintas e passam a ser concordantes ou discordantes a depender da cabeça de quem as conceba.
O grande avanço da Astronomia devido a essa libertação inevitável de axiomas não-científicos (se bem que parcial) nos séculos XIX e XX se viu agora acompanhado dessa “ressurreição” da Astrologia denominada “Astrologia Moderna” quando Jung, discípulo de Freud, a uniu com a Psicologia da Personalidade, definindo outra rivalidade entre Astrologia e Psicologia e desta com a Parapsicologia décadas depois.
O que este estudo se propõe é distinguir os propósitos dessas áreas – no caso Astronomia e Astrologia – para se afirmar se é coerente ou não (ou mesmo válida) a interferência de uma em outra.
3. Enfoque da Astrologia dos pontos de vistas cientifico e não-científico:
3.1. No que se baseia a Astrologia:
Tanto a Astrologia antiga como a Nova ou a Astrologia Moderna tem bases anti-científicas o que desde já as impossibilita de se autodenominarem “ciências”. Literalmente analisando os 7 princípios da filosofia Hermética de onde se estrutura a Astrologia, podemos observar as seguintes interpretações:
1) Princípio da Ordem Universal: O Universo é ordenado, eterno e conceitualmente imutável.
Astronomicamente nenhuma destas afirmações é verdadeira uma vez que as distâncias megalópicas da escala cosmológica fazem até com que o tempo seja mutável. Distâncias diferentes das estrelas e galáxias levam a que daqui da Terra se veja épocas diferentes e distintas. Por que o Universo é ordenado? Por acaso o que o impede de ser caótico? Filosoficamente falando, as afirmações não podem ser leis, pois elas simplesmente foram adotadas somente por este ponto de vista. Quanto a sua imutabilidade não é necessário nem mostrar que é uma afirmação falsa uma vez que se verifica diariamente o oposto.
2) Princípio das Relações Macroscópicas: Tudo está interligado. Cada conformação, posição, velocidade, volume, tempo, luminosidade, peso, pensamento e personalidade estão interligados e relacionados entre si.
Apesar de não se encontrar estas tais Relações para tudo, até pode ser, mas isso não implica que seja um princípio.
3) Princípio da Perfeição: Tudo no Universo é Perfeito. Não existe certo ou errado do ponto de vista do absoluto. Tudo o que existe se deve a um perfeito equilibro entre “Existir” e o “Estar Existindo”.
Do ponto de vista relativístico há concordância mas do ponto de vista filosófico, a perfeição teria de ser definida, pois se assim fosse não haveria nunca imperfeição e por conseguinte não haveria busca à perfeição (já que tudo é perfeito!).
4) Princípio de Causa e Efeito: Toda ação produz uma reação.
Entendendo-o cientificamente já é até provado a veracidade, mas como a afirmação está concebida metafisicamente, a relação nem sempre pode estar verdadeira e sua discussão em termos de Vida do homem levaria a caminhos não científicos.
5) Princípio da Vibração: Cada complexo tem uma característica própria, um símbolo, um significado, uma vibração única que interagindo com outros complexos forma novos complexos.
Cientificamente é improvável, pois há sistemas, complexos, etc. que podem ser considerados do ponto de vista “simbólico” e “característico” como idênticos. E filosoficamente as tais interações entram em contradição com o primeiro princípio da imutabilidade.
6) Princípio da Compensação: O Universo está em equilibro dinâmico.
O que foi dito do quarto princípio se estende também a esse.
7) Princípio da existência do Destino: O Universo tem natureza ao mesmo tempo cíclica e evolutiva. Cada componente do Universo tem sua existência determinada. Tudo aquilo que for reação de uma ação pode ser sempre determinado e previsto.
Esse é o princípio mais impiedosamente combatido pelos cientificistas e o que os deixam mais “inconformados” por afirmar algo contrário ao verificado pela ciência, e ainda mais hoje em dia quando se constata tanta aparente indeterminância.
3.2. O que a Astrologia quer dizer com tudo isso:
Todos esses princípios da Filosofia Oculta de Trimegisto analisados literalmente não expressam o que a Astrologia quer dizer. A interpretação literal deles leva místicos e materialistas a discutirem qualquer coisa que não é a Astrologia.
O propósito da Astrologia como o de qualquer filosofia é ajudar o homem a conhecer a si, aos outros e ao Universo de forma inteligível e concordante. Se essa atitude é errada ou certa, não é a ciência que dirá, pois o que a Astrologia diz está muito fora do alcance de ser compreendido por materialistas como 2+2. O que a Ciência pode interpretar como erro ou imperfeição não significa que a Astrologia também o interprete assim.
Toda a raiz do problema se baseia no propósito: pra quem busca racionalidade e provas impessoais – a Ciência é o caminho ideal. Pra quem busca um caminho mais pessoal segundo princípios humanamente implantados o misticismo é no que cai. No caso da Astrologia ela pode (como a Matemática, em si pura e abstrata) ser articulada com qualquer outro misticismo. É comum ver tarológos astrólogos, quiromantes astrólogos, etc. E no lado da religião (que nunca poderá deixar de ser misticismo) encontramos padres astrólogos, judeus astrólogos, muçulmanos, protestantes, budistas, espíritas e toda a variedade religiosa disponível. Apesar da Astrologia não ter nada a ver em origem com crença em divindade, céu ou inferno, o ateísmo é raro na Astrologia, pois o aprofundamento nela afasta do materialismo, ao contrário da Ciência cujo aprofundamento (em geral) leva ao materialismo.
Voltando à análise dos princípios astrológicos do ponto de vista de seus propósitos, são totalmente coerentes, pois se o indivíduo procura entender, acreditar e viver num Universo acreditando em perfeição absoluta, os princípios adotados são válidos ainda que por ventura anticientíficos, pois o propósito é explicar o Universo segundo um sistema místico, não materialista, individual e talvez até mais real por isso.
4. As 10 principais questões controversas da Astrologia:
Numa conferência internacional de Ciência, levou-se aos palestrantes 10 questões formuladas por 6 físicos, 3 astrônomos e 1 psicanalista altamente combatentes da Astrologia, que hoje ainda são proclamadas como se invalidasse alguma coisa pelos adeptos do pensamento científico dito “puro”:
1) Até hoje a Astrologia adota o sistema geocêntrico de Ptolomeu tomando a Terra como centro do Universo que só vai até a “esfera de estrelas fixas”.
— Se a Astrologia estivesse procurando explicar o movimento dos planetas ou as distâncias interplanetárias, o argumento teria alguma validade e mostraria que a Astrologia está alguns séculos atrasada, contudo, como ela, muito longe de se aventurar por esses assuntos, procura estudar o homem como centro do Universo (não que ele o seja fisicamente) pondo-o em evidência e tomando-se como verdadeiros os princípios adotados relacionando sua vida, personalidade e outros aspectos internos ao universo externo, seu sistema é muito mais adequado que muitas outras formas de autoconhecimento antecipando o divã de Freud em 4000 anos.
2) Os nomes dos signos e planetas em uso na Astrologia tem origem mitológica. Por acaso se Marte fosse chamado de outra coisa sua ” influência” seria outra?
— Do significado vem o símbolo e não o contrário. Pelo menos assim é no hermetismo. Os nomes dos planetas são referentes ao que eles significam (antes da descoberta de Urano). Nunca iria se chamar Marte de Vênus ou Vice-versa, pois nessa (e todas) mitologia “Marte” simboliza o que o quarto planeta e Vênus simboliza o significado do segundo. Quanto aos signos o mesmo e ainda mais: nem somente o nome do signo é suficiente para traduzir o que ele significa. O Signo Áries por exemplo não quer dizer somente audácia, perspicácia e ação somente, mas muito mais do que a palavra ou a constelação sugere ou sugeriu literalmente.
3) Pesquisas nos EUA foram feitas procurando comparar previsões astrológicas com seus resultados verificando-se um índice muito baixo de acertos – praticamente o de um palpite!
— Apesar da Astrologia afirmar que tudo está interligado, as chamadas previsões e horóscopos é o nível menos confiável da Astrologia, pois esta jamais afirmou que as DECISÕES do homem são determinadas. Toda tentativa de previsão neste sentido é uma projeção, não é preciso nem ser astrólogo pra isso. Além do mais assim como a Ciência, a Astrologia está em constante evolução, seu corpo de conhecimento não abarca tudo. E se as pesquisas feitas que comprovam a Astrologia (dentro do que ela se propõe) fossem divulgadas teríamos o mesmo caso da disputa entre ciência e Religião: milhares de livros que “provam” a existência de Deus e milhares que “provam” sua inexistência. Se a Verdade pudesse ser conduzida por argumentos e pesquisas com conclusões já concebidas, não haveria nem verdade relativa.
4) Já que a Astrologia se baseia na posição dos planetas tendo como fundo as constelações zodiacais, como é vista a precessão dos equinócios que desloca anualmente a Terra em relação à esfera celeste? Hoje 2000 anos depois da reformulação da Astrologia, Áries não está mais no equinócio e esse signo foi escolhido como primeiro por isso.
— Na Astrologia o que importa é a essência, o significado e não o símbolo. O zodíaco por ser cíclico não possui primeiro nem último signo. Para efeito de estudo Áries (entre outros motivos) foi escolhido como primeiro na época por coincidir com a primeira casa Astral e com o equinócio. O sistema astrológico continua a ser visto da mesma forma neste sentido porque o deslocamento da constelação não interfere no resultado. O que muda é o nome da constelação que ocupa aquela área e não o do signo que continua fixo, até mesmo se o deslocamento fosse de 180 graus.
No passado o que houve foi uma materialização mental do símbolo nas estrelas que ocupavam por “Coincidência” na época aquela posição. E mesmo assim a precessão tem importância na Astrologia na determinação das eras. Cada signo independente da constelação em que esteja situado, tem 30 graus e o deslocamento desses 30 graus em relação à posição original se dá a uma razão de 50,2º por ano o que faz com que a cada 2150 anos outra constelação ocupe o local daquele signo.
A mais antiga era que se tem alguma notícia (na Astrologia) é a era de Leão em 10750 aC. Com o fim da era glacial a “sociedade” se torna patriarcal, mas ainda muito primitiva. Em 8600 a.C. se deu a era de Câncer, período normalmente excluído da História por refletir uma era eminentemente matriarcal (Creta, por exemplo, conseguiu manter esse regime por mais tempo). A partir de 6450 a.C. tem-se a era de Gêmeos marcada no final pela invenção da escrita e pelo inicio do calendário egípcio. Em 4300 a.C. temos a era de Touro marcada pela ascensão de Egito e da Caldéia. E em 2150 a.C. tem-se a era de Áries quando a Astrologia foi reformulada antes do início da era Cristã e este signo foi tomado como origem independente da precessão (antes em cada nova era o signo da era se tomava como primeiro). A era atual de Peixes vai até 2150 com o advento da era de Aquário apesar de que a constelação de Aquário ainda está muito longe temporalmente do ponto vernal que marca o equinócio. Socialmente as Relações entre a era vigente e a humanidade não se dão de maneira brusca, afinal o processo histórico-social não é desprezado na Astrologia. A Astrologia apenas as relacionou, também, às eras. O conjunto das doze eras, chamado ano Platônico, corresponde a uma volta do eixo da Terra em torno do eixo da eclíptica (precessão).
5) Que “influência” dos astros é esta que se referem os astrólogos que não é detectada e como ela pode determinar tal variedade de interpretações?
— Na Astrologia o que se chama de influência Astral nada mais é que uma das Relações entre a personalidade de determinado indivíduo e sua vida com a posição dos planetas. Poderia ser com as nuvens, as folhas de laranjeira ou qualquer coisa uma vez que se acredita, nesse sistema, na interligação de tudo. Se um relógio parasse, por acaso o tempo em si iria parar? Não existe na verdade nenhuma influência no sentido estrito da palavra. As verdadeiras influências são ambientais (que se tem certeza até agora) e estas não são estudadas pela Astrologia. Uma determinada personalidade prevista pela posição dos planetas pode assumir milhares de comportamentos a depender de sua criação ou ambiente e isso não é mais assunto da Astrologia. A essência do indivíduo é que foi determinada ou relacionada e não o que ele se tornou, depois, ou como se comportou. Assim não há nenhuma forca ou campo a ser detectado.
6) Se a personalidade fosse determinada pelo momento do nascimento, milhares de pessoas que nascem no mesmo horário em todo mundo teriam “essencialmente” a mesma personalidade.
— A personalidade Astrológica não varia somente no tempo. A Astrologia considera o local e apesar de não estudar a influência ambiental, social e psicológica, não as considera falsas. Os 12 tipos fundamentais de personalidade intrínsecas são subdivididos cada um em 30 subformas que variam segundo o ascendente (até aí tem-se 4320 personalidades gerais) a chamada casa Astral que só é distinguível em Gêmeos de criação o mais igual possível (aumentando para 51840) e a posição de cada planeta, cujo conjunto praticamente não se repete em escala de tempo da humanidade eleva para aproximadamente 10C51840 personalidades astrais (muitos bilhões) que difere da personalidade psicológica por não levar em conta os fatores psíquicos e ainda varia também em função do ambiente e da hereditariedade (caráter). Assim é fácil concluir unindo-se todas essas formas de variação da personalidade, que são praticamente únicas neste Universo.
7) Por que a Astrologia não considera as galáxias, aglomerados, asteróides, etc. já que os planetas do Sistema Solar são considerados?
— Simplesmente porque não se sabe se eles tem influência astral (influencia não significa determinância aqui). Em 1781, quando Urano foi descoberto, a Astrologia só se baseava até Saturno, pois era o que se conhecia. Só depois que Urano deu uma volta completa em sua orbita, em 1865, é que se pode dizer mais ou menos seu significado na Astrologia. E até hoje esses três últimos planetas descobertos, não estão completamente conhecidos do ponto de vista Astrológico, pois os anteriores já eram observados há séculos e os três últimos externos são recentes e muitos lentos. Só com o passar de muito tempo se fará uma interpretação mais apurada de seus significados Astrológicos. Quanto mais o que está fora da Sistema solar. Por isso a Astrologia está em constante evolução. Ela nunca se afirmou completa, mas dentro do que ela conhece, ela pode responder: a Ciência também não é assim neste aspecto?
8) E a charlatanice?
— Acreditando na existência da Verdade absoluta analisemos: Antes que o homem existisse essa Verdade já existia. O que a Ciência hoje descobriu muitas vezes já existia antes do homem. Ele antes apenas não tinha conhecimento de sua existência e apesar de que para ele não existisse, do ponto de vista do real e absoluto existia. Essa Verdade independente do homem não se altera pela formulação de falsas “verdades”. Na religião é o que mais tem de comum, mas isso não a invalida, pois a falsidade está em quem a prega e não nela (a não ser é claro que toda a formulação dela tenha sido com fim melindroso). Estendendo isso até a Astrologia é fácil ver que ainda que todos os astrólogos fossem charlatões aproveitando-se da credulidade da turba humana, não significaria que a Astrologia em si fosse falsa. Eles é quem são.
Se por acaso alguém dissesse que a lei de Newton é F = m2a-1, isso mudaria a verdadeira lei de Newton? Ou ainda que o próprio Newton dissesse que sua lei é outra coisa, a Gravitação Universal mudaria? A Verdade Absoluta não é determinada pelo homem, ele apenas, se quiser e puder, a descobre.
9) Já que a Astrologia é um sistema pseudo-filosófico, quem a segue não corre o risco de, por previamente acreditar em determinada coisa ou conjunto de “princípios”, seguir a mentira enquanto procura a Verdade?
— Segue o mesmo risco de quem segue uma religião ou teoria cientifica cegamente sem levar mais nada em conta. Se uma pessoa procura essa verdade onde ela esteja é incoerente ver tudo por um lado somente, como se ela quisesse que a Verdade estivesse ali. E se tudo for os vários lados da Verdade? Os princípios da Astrologia e da Filosofia Hermética, que não estão em análise nesta questão, se dispõem a mostrar o seu lado de Ver as coisas, pois esse lado é verificado nas condições propostas. Outrossim se essa pessoa conseguir harmonizar em sua própria visão talvez influenciada, pois isso é inevitável, mas realmente própria, ou seja, sabendo o que adotou como verdade por escolha sua, independente do que a levou a tal conclusão, está seguindo o caminho análogo ao da Ciência, porém nem sempre científico. Se a pessoa reconhecer erros e mudar as concepções que não a leva à seu objetivo – no caso a Verdade – não correrá risco nunca, pois não se prendendo, sempre será livre para olhar tudo de outra forma. Mas como nem todos têm essa forma de atitude devido à necessidade extrema de acreditar cegamente em algo (Deus ou um conjunto de verdades científicas ou ambos) a Verdade poderia até estar em todos os lugares e o homem não a alcançaria.
10) Como a concepção de destino pode ser conciliada como a concepção de livre arbítrio como querem os astrólogos?
— Estabelecendo-se o que quer dizer Destino na Astrologia. Na Astrologia Moderna faz-se uma comparação do Destino a um rio, onde os homens estariam jogados. Uns seguiam sua vida levados pela correnteza do rio se batendo uns com os outros sem nunca tomar conhecimento que estão sendo levados por um rio. Outros de visão mais sintética, notando tendências, tomavam atitudes mais ou menos de acordo com sua própria vontade segurando arbustos das margens ou ancorando-se para “estagnar” sua vida e outros até nadavam contra a correnteza para evitar as cachoeiras futuras. Todos eles têm livre arbítrio e podem em sua escala individual mudar seu destino, mas a correnteza continua em escala global e a maioria não percebe seu movimento nela, o livre arbítrio de cada um não interfere no curso inexorável do rio. Esse rio seria o destino.
O destino não é imutável do ponto de vista individual. Na Astrologia o que é imutável é o destino em escala universal, onde o livre arbítrio não pode afetar. O querer de toda humanidade não impede que as correntezas que a leva mude de direção. Apenas o que cada um faz de sua vida é o que não é determinado, mas pode determinar outras pequenas correntezas. Daí a inter-relação do homem com o homem e a conciliação perfeita do Destino com o livre arbítrio.
5. “Conclusão”:
Não se pode analisar a Biologia através da numerologia, nem a Psicologia através da Física Nuclear, nem o Direito analisar a química, muito menos a Astronomia analisar a Astrologia e vice-versa. Cada área trata de seu objeto de estudo, ainda que seus meios sejam “parecidos”.
As tentativas de muitos astrólogos para colocar a Astrologia como ciência é conceitualmente impraticável. Sendo a Astrologia uma análise místico-algébrica de natureza adversa a qualquer analise científica, seria um rebaixamento da Astrologia colocar-se ao nível científico.
Agora vamos analisar os combatentes da Astrologia. Quem contesta a Astrologia, além de determinada classe de religiosos cujo diálogo é impraticável, são alguns cientistas que muitas vezes o faz por também previa implantação de preconceito – nunca a analisou profundamente para discutir. Assim como um religioso fanático que discrimina outra religião e não suporta sequer considerá-la impessoalmente. Os astrônomos não são tão ferrenhos com a religião, a quiromancia, a tarologia e a numerologia como são com a Astrologia. Apesar de em geral negar todas, tem uma especial preferência a atacar a Astrologia como se ela quisesse lhe “roubar” o objeto de estudo – isso os ateus, pois contestação vinda de cientista que tenha alguma crença religiosa é ainda mais absurda: ele crê em algo mais anticientífico que a Astrologia!
Quanto a quem contesta a Astrologia após considerá-la impessoalmente sem nenhum preconceito ideológico, se ele quer divulgar a Verdade, seja ela de qualquer natureza, não deveria tentar impor sua conclusão a que ainda não tentou. Todo cientista é um ser psicológico também e tudo que é subjetivo lhe é naturalmente avesso – ainda que esteja na direção da Verdade.
Sendo assim, a Astrologia tende a distanciar-se cada vez mais da ciência em geral e só mesmo num futuro longínquo quando alguma “prova” for demonstrada, poder-se-á uni-las numa nova ciência-mística e aí não se terá nem Astrologia nem Astronomia, porém a Verdade.
Como diz o Provérbio Chinês:
Primeiro se vê o Tao
Depois não se vê o Tao
E depois se vê o Tao.
Rio de Janeiro, 20 de março de 1991
Carlos Alberto C. T. Júnior
Deixe um comentário