1. Ornando a Terra de estarrecedora pseudo-evolução humana, eis que insurge-se, como de um alento estóico, a mítica insígnia do ignóbil.
2. Hoje e sempre homenageamos a ti, oh autêntico representante da casta parasitária mundial.
3. Impressionamo-nos infinitamente ao vislumbrarmos a destreza com que manténs-te inercialmente imerso em tão vasta obtusidade,
4. ainda que nós, pobres mortais nos empenhemos ao máximo em nossos esforços em prol do conhecimento por ti apartado por longa linha temporal.
5. Quantos se foram e virão sem ao menos contemplar a argúcia cerebral que excede o vácuo contido em vossos gloriosos e atrofiados neurônios?
6. Existirá no Universo volume comparável à tua mentecapta sabedoria? Um bacilo? Uma mitocôndrea?
7. Não, até mesmo um lépton excederia em inutilidade vaga para comportar miríades de mediocridade.
8. Oh insalubre ignóbil, sua presença nos é uma ausência. Sua ausência nos é um presente.
9. Rogamos aos céus para que nos ilumine, tendo tu como advertente exemplo de auto-elisão, e nos indique por caminhos que alhures nos conduza.
10. Somente por teu imponente exemplo esmeramo-nos em constante labor pela evolução em algum sentido.
11. E assim, mais que um exemplo sempre vivo, tu haverás de ser honorável por impulsionar o avanço da humanidade em direção a um pouco mais de esclarecimento, atividade hoje para ti já completamente destituída de suposta importância.
12. Clamamos por tua constipada audição para que ao longo dos lentos milênios nos agracie não mais por um estado virótico de saber, mas talvez quem sabe amébico ou até mesmo paramécico!
(texto extraído de “O Livro Sagrado”)

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