
Nesta cena encontra-se o personagem ainda envolto em tentar entender onde está e as crianças que lhe acompanham revelam-lhe sua condição de desencarnado. Ele desconhece o próprio nome, onde e quando viveu, o que fez durante a vida e como morreu. Todavia é nítido em sua lembrança o nome de alguém que ele amou muito até seus últimos dias e essa lembrança é a força que precisa para continuar sua jornada agora além-vida. Na ânsia de saber do paradeiro de sua amada, o protagonista inquere às crianças mais detalhes sobre sua vida de encarnado e a partir daí lhe é contada sua estória pregressa a qual pouco a pouco lhe vem à memória.
A Cidade-Domo
A última vida do protagonista é contata em 3 partes (Infância, vida adulta e velhice), sendo a primeira delas nessa cena explanada. Ele nascera quando a Terra estava destruída por guerras e pela poluição numa época tecnologicamente avançada aos tempos de hoje. A população sobrevivente vivia numa única cidade sob domos que a protegiam da radiação externa e outras intempéries mortais que o planeta padecia. Em algum momento de sua infância, o personagem comete um atentado contra a própria vida através de produtos bioquímicos, mas sem sucesso, de forma que, em vez de morrer, sua forma física é alterada tornando-se um ser disforme e algo nunca visto pelos demais habitantes que desfrutavam de boa forma e saúde.
Apesar de se tratar de uma civilização tecnologicamente avançada, a cidade-domo é também uma referência ao mito da caverna de Platão (que será de novo exposta no 2° Ato). Mesmo vivendo numa época pós-apocalíptica e sendo certo que os recursos vitais tornam-se escassos, as maiores preocupações dos habitantes são com aparências e futilidades. O fato de serem eticamente reprováveis e intolerantes a quem não se adeque ao comportamento da maioria foi um dos motivos que levou o personagem ao isolamento e posteriormente a seu exílio.
Os 8 Fragmentos da Música-Mãe
Durante a exibição desses fatos como lembranças visuais que retornam, entoa-se a segunda ária do musical “Nem a Morte fez-me esquecer-te“. Essa peça instrumental é o primeiro dos 8 fragmentos da Música-Mãe, onde o tema principal é tocado pela primeira vez. Essas 8 partes estão relacionadas com os 8 trigramas do I-Ching e seus significados são ocasionalmente cantados.
- 1- ária n° 25
- 2- ária n° 15
- 3- ária n° 18
- 4- ária n° 11
- 5- ária n° 7
- 6- ária n° 9
- 7- ária n° 2
- 8- ária n° 5

A seta desenhada no círculo dos Trigramas indica a ordem no sistema I-Ching do movimento do Tao
O conceito dos oito trigramas diz que, a partir da interação entre as duas forças primordiais da natureza – o yin e o yang –, estabelecem-se oito arquétipos da manifestação da energia do mundo. O Trigrama “Montanha” representativo do primeiro fragmento e emblema o aspecto da rigidez e imobilidade das Leis Cármicas. A ária é somente instrumental e serve de fundo das lembranças reveladas da vida anterior do personagem.

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