A U T O K R I P T O G R A F I A


Cena 1 – 2° Ato


O Segundo Ato inicia-se com o personagem murmurando a mesma frase do primeiro Ato. Ele desperta no interior de uma caverna submersa para onde foi tragado com uma das crianças pela inundação ocorrida na cena interior. Eles caminham no interior dessa caverna até encontrarem uma uma ampla câmera onde havia uma cidade cercada por muralha e um profundo abismo. A entrada para a cidade era através de pontes sobre esse abismo e lá ele entra em contato com a população de Gogam que vivia numa teocracia guiada pelo Gorgomestre.

Aqui temos de novo alusão direta ao mito platônico da caverna, pois a população desconhecia a existência do mundo fora da caverna ou da possibilidade existir qualquer outro conhecimento fora da doutrina religiosa que seguiam criteriosamente. É obviamente uma crítica aberta ao fanatismo e extremismos religiosos. O fato de grande parte do 2° Ato se deter neste ambiente evidencia o forte apelo que a religião, no sentido de uma ligação com a Divindade, é componente substancial da personalidade do protagonista.

No momento de sua chegada, realizava-se o culto à divindade denominada “Mamom”, quando o Livro Sagrado era lido e cânticos entoados como o da 10a ária “O Dia da Glória”. Essa ária é mais um plágio autorizado do compositor, pois se trata de uma conhecidíssima melodia entoada em igrejas cristãs de várias denominações. As alterações feitas sobre a cântico original a tornam uma peça original na escolha da tonalidade (Fá sustenido), nas 4 variações de acompanhamento de cada estrofe com um texto adverso, além da dolorosa introdução em modo menor.

“O Dia da Glória”

O personagem entende ao fim desta cena que a forma de religiosidade professada pelos habitantes de Gogam foi claramente imposta desde o nascimento. Qualquer outro pensamento que destoe dos preceitos consagrados, são minados já na raiz. Rouxinol rejeita essa fé por inúmeros motivos e o mais veemente deles é a demonstração clara (através das palavras do Gorgomestre e da Velha Fanática) de que para eles a punição de quem rejeita tal credo é tão importante quanto a prometida salvação. Ao vislumbrar esse sofisticado sadismo, Rouxinol principia seus argumentos para a classe clerical numa tentativa de por meios diplomáticos e racionais explicar sua divergência de pensamento.


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