A U T O K R I P T O G R A F I A


A Quarta Tortura


Aqui chegamos no que se pode denominar como o mais lúgubre dos níveis infernais, onde realmente a lama humana mais densa encontra seu habitat natural. A Quarta Tortura, representada pela terra no quarteto dos elementos, é incomparável às Torturas anteriores, pois realmente está muito além de dores físicas ou emocionais. Assenta-se na base de qualquer sofrimento existente ou que venha a existir, sendo também a causa prima das carências que representaram a Terceira Tortura. Sim, estamos falando do Condicionamento.

Não há nada mais desumano que desumanizar os indivíduos em série perpétua dando-lhe como legado uma pseudo-vida que será reproduzida nas gerações subseqüentes. É a fábrica dos habitantes do 2° Ato. O condicionamento humano é automatizado e inicia-se nos primeiros dias de uma encarnação. Dia a dia são incutidas leis, axiomas, verdades e convenções que pouco mudam ao longo dos séculos e servem somente para o adestramento das mentes aprisionadas em gaiolas de fanatismo e ideologias preconcebidas.

O início dessa cena se passa numa sala de aula primária antiga onde os alunos estão acorrentados uns aos outros. De um alto púlpito a aula é ministrada pela Velha Fanática – personagem do 2° Ato – aqui atuando como professora. Entre os alunos encontra-se uma criança que não está acorrentada e faz questionamentos na aula. Os questionamentos irritam a professora a ponto de ocorrer uma discussão com ameaça de punições.

A ária n° 20, titulada “Tudo o que Sei, Tudo o que Sinto“, também representa a coluna central dos 3 dígrafos do título do Musical (PT) incia-se em mi maior com uma introdução que mais uma vez recorda uma canção infantil muito entoada em escolas religiosas (há duas versões) com alguns versos alterados. Após uma sucessão de modulações, a professora inicia suas explanações num diálogo adaptado sobre o Improviso N° 1 de Schubert (op. 90) orquestrado e encurtado que com seu tema repetitivo é ideal para representar o condicionamento. Mesmo assim é a mais longa ária do 3° Ato e de todo musical terminando em sol maior podendo assim fazer um ciclo retornando à ária da Primeira Tortura em circuito interminável.

“Tudo o que Sei, Tudo o que Sinto”

Quem vai chegando vai ficando atrás.
Cante conosco, contigo, aliás.
Quem vai chegando vai ficando atrás.
Não nos pergunte o que aqui o traz.
Quem vai chegando vai ficando atrás.
Somos passado não tão fugaz.

Ventos que sopram para o futuro
Não levem folhas deste passado escuro!
Tudo o que sei, que vejo e que sinto
Não é ilusão ou fruto do instinto.
Esforçarei-me em meu dever
para aceitar o que diz como luz do saber.

– Eis-me aqui frente a ti, oh mestra,
como todos em prol de aprender.
– Como todos os que aqui estão
Saberás como nunca entender.

– Que o tempo me permita
despertar uma Luz em meu ser.
– Só o tempo não conduz à Luz,
mas ações que venhas empreender.

– O que sinto… – não sentimos,
pois estamos proibidos.
– Por que, oh, mestra?
– Agora vão entender:


Desde tempos mais remotos
estais vós acorrentados.
Passam vidas, passam mortes
e vocês não se libertaram.

– Quem és tu que ousas contestar
as leis que para sempre devem ser?
Quem és tu que dizes aprender
e nos mostras tudo já saber?


– Tudo o que sei, tudo o que sinto,
Não é ilusão ou criação, eu repito.
Tudo o que sei, tudo o que sinto,
Não é ilusão nem criação, eu insisto!


– Eu ouvi alguém falar
algo que ninguém deve escutar!
Quem és tu que ousas duvidar
Da lei que nos guia, que nos faz?
Somos cegos guiando cegos
para o Abismo em vão escapar.

Foram-se em vão os teus feitos
Não estarás entre os Eleitos.
Cale-se, cale-se, cale-se, cale-se, cale-se já!


Vamos brincar de reproduzir o condicionamento.
Vamos nos divertir mais se fazer de conta que é real.
E ninguém poderá escapar da mediocridade sem igual.


Vamos brincar de soldado para matar sem ter dó.
A princípio não gostamos, porém acostumamos bem.
– Também tu só ouves o que queres
E apenas não me escutar.


– A autoridade de cidadão do Mundo
Basta para que eu ouça como estou.
Olhos me enganam, mente me ilude,
mas sinto com a alma que eu sempre sou.

O Quarteto dos Elementos

Os 4 elementos (fogo, ar, água, terra) são relacionados com os estados mais inferiores do Plano Físico (respectivamente: plasma, gás, líquido e sólido). As primeiras 4 Torturas estão associadas ao Quarteto dos Elementos de forma que uma leva a outra num ciclo ad eternum do qual escapar deste é extremamente difícil. Mas se a Quarta Tortura for superada – há quem o faça, quebra-se essa roda e é possível adentrar no mundo das agonias do Plano Astral, aquelas que não necessitam de um corpo físico para experimentá-las.

A Quarta Tortura localiza-se na sephiroth “Tifereth” e é a única que se liga diretamente a todas as demais sefiroth da Árvore da Vida. Cada uma das 4 árias referentes a essas Torturas se ligam através de tonalidades, acordes e compasso. O Significado cabalístico de cada Sefiroth é justamente o oposto ao de cada Tortura


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