A U T O K R I P T O G R A F I A


A Quinta Tortura


Quando se olha a existência por fora do ciclo de reencarnações, onde os seres experimentam todo tipo de história de vida, em ambos os gêneros, idades, diversos tipos de cultura e conhecimento, sujeitos às mais variadas decisões, destaca-se a multidão de almas que permanece na Roda de Samsara, repetindo inconscientemente as ações de vida passada ou atual por imposição da massa em que está imersa. Contudo há também (em bem menor número) uma quantidade de almas que deliberadamente saem ou conseguem escapar desse ciclo com algum custo de tempo ou de busca moral e podem vivenciar, justamente por adquirir uma percepção mais ampla em função dessa nova posição, a chamada Quinta Tortura – só a estes reservada.

A Roda de Samsara

Que o mundo dos humanos é (também) permeado de atrocidades e injustiças é de conhecimento dos que agonizam vida após vida na Roda de Samsara, mas se tal pecepção revela o próprio oprimido (ou suas ações) como a CAUSA do seu tormento ainda que aparentemente seja perpetrada ou veiculada por outros seres, o conceito de justiça X injustiça passa a abranger uma nova significância.

Nessa longa ária – a única de todo Musical em compasso composto – é lembrada resumidamente a vida do protagonista onde certas ações são expostas. Após 3 minutos a Velha Fanática mais uma vez toma cena entoando uma maldição. Ao fim e em resposta a essa Tortura, as crianças enjauladas lembram que o personagem já se via tanto como vítima como algoz em anulação de qualquer maldição nesse sentido.

“Suplício de Inocentes”

Todo o simbolismo desta composição, principalmente ao final quando as pálpebras do personagem são cortadas para que os olhos nunca se fechem, ilustra seja na cena, na letra e na melodia a conscientização das causas e efeitos kármicos, conseqüentemente essa própria consciência leva a um sofrimento ainda maior que todos anteriores, quando se acreditava no binômio vítima-algoz.

Num mundo distante, de seres tão frios
Nasceu u’a criança, eu hei de contar.
Não era a mais sábia, nem nobre, nem bela,
Mas era sincera em seu despertar.

Cultivando flores em terra tão árida
bem quis ser por só só por ser diferente
daqueles que não permitiam viver
além da Redoma – Infeliz Consciente!

Criança que diz “não quero amar”
Terás por seu fim um mundo sem ar
E  teu coração em dor baterá pela mesma amada
que hoje já salva, não mais algemada a este sofrer
tão ancestral a qualquer ente aqui.

És belo em tua missão que cumpres com devoção
Não deixes que tuas lágrimas possam impedir
de ver a luz das estrelas do céu.
Quantos se vão sem ao menos ver?
Quantos vieram e se foram sem ao menos vê-las?

Não verás tua amada, serás penas queimadas

Não serás nunca amado, Não verás…

Te-tra-gram-ma-ton!

Ventos ainda sopram do passado, não me levem ao Tornado!
Mas teu Canto permanece, Rouxinol.

Criança infeliz nem sempre a cantar,
não hás de embalar seu sonho infantil
É somente um sonho que levarás
inócuo às garras deste ser vil.


Criança infeliz não ouses falar,
não ouses gritar, não dê mais um piu!
E sejas ciente que pressentes toda gente que cuspiu
na tua alma tanto espinho
que não acalma nem um segundo
neste mundo tão imundo que no fundo te serviu.

Que lhe cortem as pálpebras para que veja que deste Suplício
também farão parte os irresponsáveis que nos condenaram,
pois constantemente algozes e vítimas se alternam
como se este ou aquele em cada martírio fosse inocente.

Te-tra-gram-ma-ton!


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