A U T O K R I P T O G R A F I A


A Sexta Tortura


A Quinta e a Sexta Tortura formam o binômio Justiça-Misericórdia, conceitos que se contrapõem, mas se completam na intersecção do Mundo da Criação e do Mundo da Emanação. O entendimento desse conceito exige um sólido e aprofundado conhecimento da Cabala. Estamos agora falando de vivência plenamente espiritual que pouca ou nenhuma relação há com experiências no Plano Físico, sendo até mesmo a denominação “Sexta Tortura” uma metáfora do significado deste lado do binômio aludido.

Árvore da Vida

Enquanto na Quinta Tortura a Justiça kármica é exercida automática e impunemente, consoante as ações e reações praticadas, a Sexta Tortura evoca a Misericórdia que é advinda mediante o Dharma individual. Na equalização dessas duas forças, o indivíduo galga algum degrau na Evolução espiritual ou estagnação. A cena já se inicia com a 22ª. ária denominada “Furor da Consciência” que representa também o 3° e último dígrafo do título (GR). Esse último dígrafo soma 25 – o número total de árias do Musical e o desdobramento do número 7 – que simboliza a Evolução. As 6 últimas árias do Musical são as contrapartidas simbólicas do Mundo da Criação (vide gráfico da Árvore da Vida), respectivamente:

  • 20ª. ária – Tiferet (A Quarta Tortura)
  • 21ª. ária – Geburah (A Quinta Tortura)
  • 22ª. ária – Chesed (A Sexta Tortura)
  • 23ª. ária – Binah (A Sétima Tortura)
  • 24ª. ária – Hokmah
  • 25ª. ária – Kether

A Quinta e Sexta Torturas junto com a música final (árias n° 21, 22 e 25) formam um triângulo que evoca o conceito da Verdade Absoluta. A ária desta cena é composta por duas partes distintas ligadas por uma transição suave, ambas compostas com base na transcrição numerológica das respectivas Sephirots e seus significados cabalísticos. A primeira parte em ré menor clama um tema de 40 Notas trabalhado em contraponto e a soma dos valores de cada nota resulta a soma das letras do título do Musical. Esse tema bastante explorado nessa primeira parte fôra já tocado em outras árias de maneira subliminar ou num acompanhamento em segundo plano (inclusive na música de abertura do Musical). Ele faz a perfeita correspondência entre as 3 formas de interpretação (literal, metafórica e cabalística). A segunda parte, em si bemol menor, traz um tema mais simples, onde a simbologia encontra-se na seqüência de acordes. Por fim ambos os temas sobrepõem-se harmônica e contrapontiscamente. Esses dois temas contrastantes representam respectivamente a combinação da Justiça com a Misericórdia em suas acepções místicas.

  • Tema 1 em Bbm + Tema 2 em Bbm

  • Tema 1 em Gb + Tema 2 em Bbm

“Furor da Consciência”

A letra da ária n° 22 é uma das mais complexas do musical. Nas primeiras estrofes, a última sílaba é cantada simultaneamente com primeira sílaba da estrofe seguinte (por coro distinto) e em outros compassos é feito ora um jogral, ora um cânone, ou textos distintos cantados ao mesmo tempo, muitas vezes em ritmos diferentes. São diversas ao longo da letra as alusões aos elementos simbólicos do musical, com o qual o acorde onde é cantada a metáfora tem equivalência com o significado cabalístico – aqui há a perfeita ressonância dos 3 níveis de interpretação. Uma vez conhecida toda a trama, cada um dos termos (Jardim, Flor, agulha, Estanho,…) utilizados torna-se claro como referência de um tema já tratado nas cenas anteriores.

Demiurgo:

Cada alma que adentra este portão
e implora aos céus completo perdão
ouvirá deste arauto que a Justiça
não vê uma exceção.


São condenadas às brasas
que reservam para ti predileção.

Na angústia da longa busca de mim
decidi não desistir de mim.


No teu leito de estanho consciente de ser
o milagre da vida feroz, aguerrida a quem parecer.

Como estrelas no céu ou gotas no mar
de lágrimas banham o teu espírito
cínico, tipico sem afogar.


Aceitarás que o pesar se deve a ti só então
irei te mostrar qual agulha destruiu o Amor


O Amor que existe é parte de teu ser
e a Dor que te infliges não pode o corroer



Destes corpos sem alma extrairei
as Marcas da Vida onde existe um Jardim

tão vasto, infinito e cada sentimento
vem das lágrimas da Flor!

Crianças:




São as almas inglórias a decepção
dos planos divinos de evolução
.


Na angústia de mim

me decidi não desistir,
não desistir de mim.





É gotas no mar
banham o teu espírito
cínico, tipico sem afogar.



Como estrelas no céu ou gotas no mar
ou grãos de areia o teu olhar.

Morte não livra sofrer de eu ser.
E a Dor que me infliges não vai corroer
as flores que colhi já tem as Marcas.


Pois eu sei! Pois eu vi! Existe um Jardim
e cada alma que adentra este portão
e implora aos céus completo perdão
será regada com as lágrimas da Flor.

Solista:






















O Amor que existe é parte de meu ser
e a Dor que me infliges não pode o corroer
e a Flor que colhi tem
as Marcas das Cores da Vida
e a Vida escolhida não há de perecer,
Pois eu sei! Pois eu vi! Existe um Jardim

tão vasto em seu esplendor
e cada sentimento foi regado
com as lágrimas da Flor!


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