A U T O K R I P T O G R A F I A


Cena 5 – 2° Ato


Esta é a cena onde os habitantes da cidade de Gogam conseguem sair da caverna submersa e estão extasiados diante do que eles consideram o “paraíso”. Eles vislumbram a vegetação, o céu e a luz do Sol, elementos que nunca puderam imaginar enquanto viviam sob o domínio do Gorgomestre. Excetuando o fato de se tratar ainda de uma cena no Plano Astral, não há nenhum elemento que a torne sobrenatural, mas os fenômenos naturais podem ser assim interpretados pelos que se privam ou são privados da natureza ou da realidade fática. Nesse júbilo eles se consideram os eleitos por alcançarem a tão prometida Salvação sem imaginarem que exceto ascederem a um novo nível evolutivo, estão tão salvos ou condenados quanto qualquer ser daquele plano.

Esta euforia é acompanhada pela 14a ária, um arranjo de trompete, trombone e piano sobre uma antiga canção infantil de forma que junto com o alvoroço barulhento dos personagens pouco ou nada se nota do resgate da última moradora da cidade Gogam. Rouxinol emerge com a jovem Recém-Convertida do lago que liga esses dois mundos. Ela encontra-se sem vida por ter se afogado durante sua passagem, a única que não conseguiu chegar com vida. Um misto de revolta e tristeza profunda que domina o personagem Rouxinol impede-o de largá-la quanto mais de participar da euforia dos demais que conseguiram manter a respiração presa tempo suficiente para conseguir fazer a travesia. Ele a considerava a mais verdadeira buscadora da Luz e da Evolução, mas ao contrário de todos os demais que simplesmente reproduziam os dogmas irrefletidos, não adentrou na sua terra prometida.

O Pranto de Rouxinol é invisível e inaudível, pois a felicidade da coletividade o torna assim abafado. Por se tratar de um mundo espiritual, a Recém-Convertida não está morta, mas apenas permaneceu na caverna submersa com o seu medo de jogar-se no desconhecido, julgando-se não merecedora de triunfar na Eternidade. Muitas vezes determinados saltos da evolução espiritual dependem de atitudes de coragem e enfrentamento do desconhecido tendo como âncora apenas a forte fé de que se está indo na direção certa.

“Que Triunfem os Eleitos”

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