
A cena 5 também foi modificada sua posição em relação ao roteiro original. Após o diálogo com Selma na cena anterior em plano espiritual superior, o protagonista é transladado a outro nível, inferior a onde estavam, mas superior ao Jardim Sem Fim. Ele se encontra sozinho caminhando ao longo dos anéis de Saturno e ao encontrar uma escada de gelo, desce em direção à superfície do planeta onde encontra construções de geometria simétrica. Neste mundo também não há ninguém além dele, como no Jardim Sem Fim e neste ambiente, após um curto monólogo reflexivo, as crianças surgem para contar a terceira e última parte de sua vida encarnada – do seu exílio no deserto até seu desencarne. Nessa parte vem à tona ao final de sua história o motivo pelo qual ele é chamado de Rouxinol. Ao fim do relato, a 5a ária é tocada, talvez a mais curta de todo musical com poucos instrumentos (piano, flautim, violino e violoncelo). Ela é o 2° fragmento da Música-Mãe, relacionado com o Trigrama Terra. O protagonista canta um pequeno trecho de uma melodia (19 notas) que será três vezes executada de maneira diferente ao longo do primeiro Ato – o tema secundário da Música-Mãe.

Na vasta fartura de simbologia cabalística desta cena, chamamos atenção que a soma da notas do Tema Secundário, em mi menor, é 148 (quatro vezes 37 – relacionado ao subnível Astral de Rouxinol). E nesta simples melodia engendra as bases da geometria sagrada através dos intervalos melódicos. Esta simples melodia contém cada um dos elementos geométricos que levam a formação das mandalas e formas ditas sagradas.

O protagonista, ao fim desta cena, já tem plena memória restaurada e consciência de toda sua trajetória de vida e os motivos pelos quais se encontra nesta situação. Assim ele decide iniciar uma jornada ao longo dos subníveis do Plano Astral em busca de sua Amada. É um momento que ele procura através da racionalidade uma forma de solucionar as questões que angustiam a alma.
“Oh Evolução galgada na Dor,
Sentença amarga isenta de perdão.”

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